As pessoas gordas

As pessoas estão cada vez mais gordas, ocupam cada vez mais espaço por onde passam e onde chegam. As pessoas gordas são, de facto, muito volumosas. Bloqueiam-nos uma paisagem inteira ao mesmo tempo que a ignoram. Isto porque as pessoas gordas sofrem de gordura aguda um pouco por todo o corpo: veem mal porque tem os olhos carregados de sebo, falam mal porque ora estão a comer, ora a vomitar o que estavam a comer, ou comeram há muito tempo e não conseguiu ser digerido.

As pessoas gordas andam mal e, pior do que isso, não se apercebem de que há mais pessoas que caminham à sua volta. Mas o facto mais supreendente das pessoas gordas, é que tanto podem medir 1,97m e pesar 246Kg, como podem subsistir com 36Kg dentro de um casulo de 1,57m. As pessoas gordas são do tamanho do seu ego.

Podem seguir no mais largo dos passeios, sem que ninguém os consiga ultrapassar (mesmo pedindo licença: as pessoas gordas ouvem mal). Numa autoestrada com 4 faixas, podem dificultar a nossa passagem, mesmo sendo os únicos a circular. As pessoas gordas ocupam mesmo muito espaço, mesmo à distância. Conseguem encher a internet com as suas próprias fezes. Quer estas venham da boca ou do cu, tem nos dedos o seu emissor, que bate pesadamente nas teclas e enche os espaços com restos imundos.

As pessoas gordas enchem, poluem, reduzem o espaço do mundo. Vivem nessa contradição de crescer sem acrescentar, de aumentar o espaço e diminuir o mundo.

Do lado oposto, estão as pessoas magras. Coitadinhas das pessoas magras… Podem ocupar duas cadeiras sem vermos que estão sentadas. As pessoas magras chegam a ser mais que magras: chegam a ser invisíveis. Passamos por elas sem que o nosso olhar não repouse nelas por um segundo que seja. Provavelmente está uma ao teu lado e nem reparas nisso. E pode nem ser culpa tua, mas sim da pessoa gorda que a bloqueia. Ou pode estar a um canto, envolvida em silêncio, a fazer uma vida muda. As pessoas magras não ocupam espaço, embora talvez quisessem ocupar. Não sei. Quando vejo uma tenho medo de lhe falar. Receio que se desfaça com uma pergunta.

E nisto, vou fazer uma dieta…

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Cheios de vazio(s)

Acabo de ler um artigo que diz o seguinte:

“Presidente da Câmara diz que não existe solução para as cheias em Lisboa. O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse, esta terça-feira, que “não existe solução” para as cheias na cidade, refutando as críticas dos partidos da oposição que pedem a execução do plano de drenagem.”

(fonte: http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=4179210)

Acho estas declarações verdadeiramente fantásticas. É o real “estou-me pouco fodendo para isso”. António Costa está de saída, com ambições mais altas, e a câmara já não lhe interessa desde que derrotou Seguro. Chegando a este ponto, duas coisas preocupamentes ocupam o meu pensamento, refletido em dois cenários:

1 – António Costa chega a primeiro ministro. Para quantas coisas dirá que não existem soluções? Quantos encolher de ombros poderemos nós ver? Talvez durante o verão não haja soluções para os incêndios… Talvez perante a dívida não haja solução para pagá-la senão através de impostos… Uma pessoa que toma esta posição perante um problema local, será muito mais displicente com problemas nacionais. Que interesse terá para António Costa e seu hipotético governo, os problemas das gentes de Bragança? Nenhum! Mas no fundo, acho que o seu problema foi a sinceridade, que me passa para o segundo cenário:

2 – António Costa está de olho na cadeira de Primeiro Ministro, e já nem quer saber. Chega mesmo a ser demasiadamente honesto. Se estivesse a pensar ficar na câmara, diria provavelmente que estaria a estudar soluções, a reunir com equipas para resolver o problema… Quando os políticos tem algo maior em mente, descartam o seu atual papel, aquele para o qual foram eleitos, e vemos as suas verdadeiras cores: os verdes crédito.

Apercebemo-nos como somos governados por gente vazia, e estamos cheios dessa gente… A fé no sistema cai por terra, mas não erguemos os punhos no ar. Encolhemos os ombros, madizemos em cafés, aguardamos um canalha com pele de Sebastião… Temos o que merecemos.

A justiça cheia de erros e parada, segue o caminho da educação. Para falar disso, teria que ser noutro artigo, tal é a amena cavaqueira. Por falar nisso, até Presidente da República acha mais relevante falar de sémen de cavalo que de problemas nacionais… coiso