Parece óbvio, mas:

Existe um sem número de conceitos, ideias, regras que parecem ser óbvias, mas que pelos vistos não chegam ao entendimento de todos os seres humanos. Inspirado nesta problemática, segue aqui uma curta lista que dedico aos transportes, que pode parecer óbvio, mas:

– a ciclovia é para bicicletas, e não uma pista colorida para peões ou automóveis;

– os ciclistas tem que obdecer aos mesmo sinais verticais de trânsito, como semáforos por exemplo. Quando ignoram um vermelho, perdem o direito de falar dos imbecis ao volante;

– as bermas não são faixas para motociclistas;

– os motociclistas tem tendência para acreditar que podem fazer ultrapassagens pela direita, mas depois queixam-se quando levam com um carro;

– existem várioas grafismos sobre como fazer uma rotunda, é incrivel que ainda existam pessoas que não entendem. A sério, grafismos são desenhos, mais básico é dificil;

– para se ser taxista, não deveria ser obrigatório ser imbecil, no entanto…

– a faixa da direita é para circular, as outras são para ultrapassar quem se encontra à direita (esta é mais simples que as rotundas, porque não tem que andar às voltas sobre a questão);

– passeios são para peões. Esta então é básica. Se não encontra lugar para estacionar, tente mais longe e use as pernas;

– Lugares reservados a deficientes não são aptos para: idiotas, imbecis, bestas e filhos da puta (entre outros): Parem de deixar lá o carro “só durante 5 minutos”.

Uberices

A Uber é a revolução que entra em choque com o tradicionalismo ou modelos instituídos há muito carregados de pó com cheiro a mofo. Não venho aqui defender que uma empresa estrangeira chegue aqui e atue como quiser, para isso já temos os chineses que são muito apaparicados e demais cidadãos estrangeiros com enormes benefícios fiscais, que um comerciante português não tem. Também gostava de abrir um negócio e ficar isento de impostos durante 5 anos, mas infelizmente sou português. É fodido. Mas adiante.

Os taxistas estão a fazer o que muitos comerciantes e empresários não fazem: estão a defender o seu negócio. Infelizmente tem como mote, que a melhor defesa é um ataque, e aí é que dão cabo de tudo. Em vez de protestos bem pensados, de propor uma implantação de semelhantes negócios de forma regrada, estes grunhos da bandeirada resolvem resolver os assuntos pelas próprias mãos. Podiamos esperar que o resolvessem pelo próprio cerebro, mas já sabemos que isso nunca vai acontecer, nem mesmo juntando os cerebros de vários. A matemática dos neurónios não os assiste.

Invocam moralidade, legalidade, justiça, quando eles próprios atropelam essas palavras várias vezes ao dia, ao seguir tranquilamente pela faixa do bus, ao dar voltas maiores do que necessárias, fazer o tour aos estrangeiros e por aí fora.

No entanto, devo defender a minha ideia inicial: uma empresa, por muito boa que seja, por muitas boas práticas que venha implementar num setor bafiento, deve também ela ser regulada e sujeita a leis semelhantes. A Uber tem que se adaptar ao mercado; os taxistas também, até porque apesar de parecer à luz dos comportamentos de vários taxistas, já passamos a fase do Cro-Magnon e até já evoluimos um bocadinho. Eu sei que é chato tomar banho todos os dias, e até lavar os carros e ter atenção ao cliente, mas faz parte. E colocar pinheiros com cheiro não equivale a lavar o carro: não somos franceses que nos limitamos a pôr perfume para disfarçar.

Agora que reparo que fiz vários comentários xenófobos, sinto que posso tirar a licença para conduzir um taxi. Estou pronto.

Este país não é para risos

Está bem patente na nossa cultura que humor não é connosco. Temos humoristas? Temos, uns melhores, outros piores. Temos anedotas? Sim, confere. No entanto, nem tudo é para rir. Aliás, se for um pouco além do humor dos batanetes, já estamos numa barreira perigosa.

Humor negro, nem morto.

Brincar com a religião? Sacrilégio!

Piadas com homosexuais? Metem-nas no cu.

Este país acarinha os humoristas básicos, aqueles que fazem piadolas gerais, sem ofender ninguém, num registo de humor bem levezinho, à semelhança das mentalidades. Se é para dizer piadas, e mesmo ofender, aquele político ladrão, tudo se permite. Desde sacana a filho da puta, não há boca que se pasme, ele bem merece. E a sua mãe, mulher, filhos… tudo no mesmo saco!

Agora, se se fazem críticas, utilizando o humor, com coisas sérias como o cancro ou a igreja, temos o caldo entornado. Com isso não se brinca, não é? Pior que tudo, seria fazer piadas de cancro num funeral de alguém falecido da dita doença. Aí era matar essas pessoas. Isto porque há coisas sagradas…

Para uns, rir é o melhor remédio, para outros, quimioterapia…

Aprendam a rir, isso sim. Do bom, do mau e dos vilões. Todo o momento negro tem um momento leve, todo o momento leve se pode revestir de negro. Se não acham piada, não se riam, procurem outra coisa.

 

 

PAN, para que te quero?

O PAN finalmente conseguiu eleger um deputado. Bravo! Confesso que cheguei a votar no PAN, porque acreditava que seriam uma força política diferenciadora, algo de fresco e realmente revolucionário. Agora que tem assento parlamentar, verifico aquilo que verifiquei quando li o programa que apresentaram nestas eleições.

O PAN significa: Pessoas, Animais e Natureza. Pois bem, seria espectável que as pessoas viessem em primeiro, na medida em que são os elementos com a força da mudança, os que criam as leis e as fazem cumprir. Pois, mas não. O PAN demonstra ser aquilo que sempre foi na realidade (desde a sua anterior denominação: Partidos dos Animais e da Natureza), uma associação sem fins lucrativos de defesa dos animais.

Claro que é positivo que alguém no Parlamento defenda os animais. Tudo lindo. Mas daí a cair no rídiculo, é um passo (ou um trote). Tenho assistido às intervenções do PAN, e creio que os animais estão bem representados, já as pessoas não tem essa sorte. Mas também, é só uma mera palavra numa sigla…

Li agora esta notícia: http://www.record.xl.pt/futebol/nacional/1a-liga/benfica/detalhe/pan-contra-o-voo-da-aguia-vitoria-na-luz-985015.html

Portanto, a conclusão que retiro rapidamente: são contra a domesticação de animais selvagens. Acredito que estão neste momento, todos os PanFans a soltar os seus cães e gatos e demais animais “domésticos”, que outrora foram selvagens, porque isso não se faz. Esperem amanhã cavalos a galopar pela A1, porcos em vara pela A23, pois estes selvagens foram domesticados e devem ser liberados.

O PAN está mesmo a mostrar o que é: um vazio humano, um partido Bestial. Coiso.

Salvem os caracóis

Às vezes não se pensa à frente, ignora-se o impacto real na ilusão do impacto esperado. É chamado o “tiro no pé”, “erro de casting” e quem sabe, no futuro, um verdadeiro “salvem os caracóis”.

Antes de prosseguir, gostaria de dizer que acho que há muitas campanhas de sensibilização sobre o consumo de animais que faz todo o sentido. Regra geral, esses animais vivem em condições que descreveriamos com desumanas, se fosssem humanos a sofrer dessas mesmas condições, e resultam de sociedades com consumos desnecessários de animais (vêm como sou fofinho, não disse “produto animal”, que é a expressão muito usada para nos referirmos a um ser que apenas serve para nosso consumo: um produto). Mas adiante.

Assim que vi a campanha numa rede social, pensei de imediato: que estupidez… Como é que estas pessoas conseguem ser tão estúpidas ao ponto de lançar uma campanha que tem tudo para ser ridicularizada? Eu percebo a premissa da campanha e a sua razão, e até o seu porque foi lançada nesta altura. Mas, é tão fácil (como foi e ainda é) virar uma perfeita anedota em menos de nada. Parece-me óbvio. Se calhar tinham-se saido melhor começando pelas lagostas. Eu sei, é um tema batido, mas sensibiliza muito mais, e como grande parte das pessoas não tem dinherio para lagosta, pelo menos teriam o apoio do povo (a inveja também é uma arma). Daí poderiam ir diminuindo aos poucos o tamanho dos seres a ser defendidos da opressão humana. É mais fácil defender os grandes, e depois os mais pequenos. Nunca matei um pássaro, mas tenho as mãos encharcadas em sangue de mosquitos. Pensando bem, em sangue de vítimas de mosquitos, essas safados.

Se por um lado temos campanhas para acabar com a crueldade com os animais, com argumentos fortes (animais que vivem sem condições, em sofrimento e stress permanente, etc), que poderiam sensibilizar as pessoas; por outro temos a dos caracóis, que se apresenta como uma gigante comédia, alvo fácil de gozo.

Agora o problema de fazer um “Salvem os caracóis”, é que a próxima campanha do género (por exemplo, um Salvem os Golfinhos), poderá ser feita ainda com o eco desta última, podendo o gozo ser transversal às campanhas futuras e mesmo a outras que estejam a decorrer. Além disso, tocaram num petisco típico que imensa gente adora e espera bastante para poder saboreá-lo. Pessoalmente, acho o petisco nojento, mas isso sou eu. É fácil dizer que as touradas são um espetáculo horrendo, porque além dos argumentos óbvios, tem cada vez menos interessados. E quanto menos resistência, maior a possibilidade de vitória. Isso não acontece com os nossos amiguinhos ranhosos e casca frágil, que são adorados particularmente quando servidos num pires.

Esta malta precisa de jogar um pouco de xadrez: aprender a lutar com 3 jogadas de antecedência, compreender que hoje em dia é preciso pensar e planear antes de agir, precisamente porque a palavra errada, a imagem tonta, a ideia falhada, tem repercussões que podem ir além do espectável, ou mesmo do pior cenário imaginado.

Mas poderia ser pior: podiam ter o apoio ou testemunho do Gustavo Santos. Na verdade, ainda vão a tempo de dar esse tiro no pé (ou, fazer um Salvem os caracóis).

 

Domingo Negro

Não sou adepto (ou adeto?) de futebol, nem simpatizante, nem merda nenhuma. Vejo um ou outro jogo em mundiais e pouco mais. Acho um desporto chato e não me identifico quando ouço um pivot de telejornal a dizer barbaridades como “Portugal inteiro está a vibrar com a Seleção!!!”. Lamento informar, mas apenas vibro quando tenho o telemóvel no bolso a receber uma chamada. E se estiver a dar um jogo de tutebol, terei a televisão sintonizada num dos 180 outros canais disponíveis. Mas estou-me a desviar logo no início…

Domingo foi um dia muito triste realmente. Mesmo sendo indiferente ao futebol, acho muito bonito que haja muita gante que festeje, celebre e vibre (de facto… ou fato?) com a coisa da bola. É uma alegria dos vencedores e é válida, até porque é a única coisa que ganham com isso. Contente estarão clube e jogadores, com renovados prémios e projeção de imagem a nível internacional. Desvio-me novamente….

Regressando ao tema: dia triste, muito mesmo. Dos confrontos que existiram no Marquês, que acredito serem bastante inferiores à festa; às murraças arremessadas por um asno a uma família de adeptos do benfica, culminando no saque do armazém do Vitória de Guimarães. Estes episódios são suficientemente ilustradores de como, da figura de autoridade à figura do cidadão, algo de muito errado se passa.

Primeiro temos o asno de farda, que agride pelo menos dois adultos em frente a duas crianças (até está equlibriado, é um trauma para cada par). Já se disse que a criatura em questão já tem historial de violência gratuíta. É daqueles casos em que a farda não faz o homem, porque o homem é mediocre para usá-la. Quer-me parecer que é uma pessoa que está do lado errado das grades, mas adiante. Para equilibrar aquela majestosa besta, temos o seu oposto, o agente que foi dar um abraço (ou tentar proteger o miudo) quando o seu pai levava uns sopapos na boca. É bonito e bom existam homens desses na PSP, pois eles é que são o exemplo a seguir. Infelizmente, quem impera nesta situação, é a besta.

Notícia

http://www.jn.pt/live/Atualidade/default.aspx?content_id=4575324

Depois, no extremo oposto temos os cidadãos. E aqui encontramos o video do saque ao armazém do Vitória de Guimarães. É vergonhoso ver o à vontade com que as pessoas roubam, apenas armados do sorriso mais rasgado, da alegria mais genuína. É um bocadinho como sacar uns torrents, mas em formato analógico. O único incómodo das pessoas parece ser o facto (fato?) de não conseguirem levar mais coisas, por um menor ataque de consciência ou por não terem levado uma mala. Até porque não é todos os dias em que podemos levar umas bolas de futebol e uma chuteiras novas para ensinar desporto aos meninos. Naquele armazém nenhum menino fez xixi nas calças nem chorou ao ver os roubos, mas se calhar era o que devia ter acontecido…

Video

http://www.jn.pt/live/Atualidade/default.aspx?content_id=4575324

Domingo foi um dia negro… tão negro, que resolvi fazer o IRS.

As pessoas gordas

As pessoas estão cada vez mais gordas, ocupam cada vez mais espaço por onde passam e onde chegam. As pessoas gordas são, de facto, muito volumosas. Bloqueiam-nos uma paisagem inteira ao mesmo tempo que a ignoram. Isto porque as pessoas gordas sofrem de gordura aguda um pouco por todo o corpo: veem mal porque tem os olhos carregados de sebo, falam mal porque ora estão a comer, ora a vomitar o que estavam a comer, ou comeram há muito tempo e não conseguiu ser digerido.

As pessoas gordas andam mal e, pior do que isso, não se apercebem de que há mais pessoas que caminham à sua volta. Mas o facto mais supreendente das pessoas gordas, é que tanto podem medir 1,97m e pesar 246Kg, como podem subsistir com 36Kg dentro de um casulo de 1,57m. As pessoas gordas são do tamanho do seu ego.

Podem seguir no mais largo dos passeios, sem que ninguém os consiga ultrapassar (mesmo pedindo licença: as pessoas gordas ouvem mal). Numa autoestrada com 4 faixas, podem dificultar a nossa passagem, mesmo sendo os únicos a circular. As pessoas gordas ocupam mesmo muito espaço, mesmo à distância. Conseguem encher a internet com as suas próprias fezes. Quer estas venham da boca ou do cu, tem nos dedos o seu emissor, que bate pesadamente nas teclas e enche os espaços com restos imundos.

As pessoas gordas enchem, poluem, reduzem o espaço do mundo. Vivem nessa contradição de crescer sem acrescentar, de aumentar o espaço e diminuir o mundo.

Do lado oposto, estão as pessoas magras. Coitadinhas das pessoas magras… Podem ocupar duas cadeiras sem vermos que estão sentadas. As pessoas magras chegam a ser mais que magras: chegam a ser invisíveis. Passamos por elas sem que o nosso olhar não repouse nelas por um segundo que seja. Provavelmente está uma ao teu lado e nem reparas nisso. E pode nem ser culpa tua, mas sim da pessoa gorda que a bloqueia. Ou pode estar a um canto, envolvida em silêncio, a fazer uma vida muda. As pessoas magras não ocupam espaço, embora talvez quisessem ocupar. Não sei. Quando vejo uma tenho medo de lhe falar. Receio que se desfaça com uma pergunta.

E nisto, vou fazer uma dieta…