Este país não é para risos

Está bem patente na nossa cultura que humor não é connosco. Temos humoristas? Temos, uns melhores, outros piores. Temos anedotas? Sim, confere. No entanto, nem tudo é para rir. Aliás, se for um pouco além do humor dos batanetes, já estamos numa barreira perigosa.

Humor negro, nem morto.

Brincar com a religião? Sacrilégio!

Piadas com homosexuais? Metem-nas no cu.

Este país acarinha os humoristas básicos, aqueles que fazem piadolas gerais, sem ofender ninguém, num registo de humor bem levezinho, à semelhança das mentalidades. Se é para dizer piadas, e mesmo ofender, aquele político ladrão, tudo se permite. Desde sacana a filho da puta, não há boca que se pasme, ele bem merece. E a sua mãe, mulher, filhos… tudo no mesmo saco!

Agora, se se fazem críticas, utilizando o humor, com coisas sérias como o cancro ou a igreja, temos o caldo entornado. Com isso não se brinca, não é? Pior que tudo, seria fazer piadas de cancro num funeral de alguém falecido da dita doença. Aí era matar essas pessoas. Isto porque há coisas sagradas…

Para uns, rir é o melhor remédio, para outros, quimioterapia…

Aprendam a rir, isso sim. Do bom, do mau e dos vilões. Todo o momento negro tem um momento leve, todo o momento leve se pode revestir de negro. Se não acham piada, não se riam, procurem outra coisa.