Sobre poluição

Foi implementada em Lisboa uma proibição de circulação a carros com 15 ou mais anos há já algum tempo. Não é novidade, tal como a imbecilidade não o é. Mas não julguem que com isso, os implementadores de semelhante medida, não são sensíveis aos problemas que isso causa aos automobilistas detentores das referidas viaturas.

Para ajudar os coitadinhos que possuem carros antigos (esses forretas, que teimam em não comprar carro novo), existe o Ultimate Cell! Ainda não vi à venda na TV, mas acho que dava um excelente produto de televendas, como todo o produto de merda que realmente não precisamos (fica a dica).

Para instalar esta maravilha da tecnologia, basta largar €250 e o carro antigo está apto a circular nas zonas sensíveis da cidade, qual velho munido de pacemaker.

Então, porque estou eu para aqui a maldizer uma coisa que até faz sentido? Reduzir a poluição não é importante? É. Palminhas para isso tudo que é eco-bonito-capa-de-jornal-bem. Mas como podem ler na notícia (http://www.noticiasaominuto.com/pais/366196/carros-antigos-vao-poder-circular-em-lisboa-pagando-250-euros), e passo a citar: “aquando da aquisição é celebrado um seguro de responsabilidade civil geral, explica o Expresso, salvaguardando quaisquer falhas que o sistema inovador possa ter.”

Ora bem, dois pontos a considerar:

1 – é celebrado um seguro. Boa, já se avizinha os negócios à volta desta obrigatoriedade de ter um seguro. Alguém o pagará certamente, não sei quem seremos.

2 – o seguro é para salvaguadar quaisquer falhas que o sistema inovador possa ter. A sério? O sistema inovador declara à partida que pode ter falhas? Então para que serve essa merda? Ou funciona, ou não funciona. Ok, pode avariar, tudo bem. Agora partir de pressuposto que é necessário um seguro, porque o sistema à partida tem falhas? E é português, portanto alguém também está a ganhar dinheiro com isso.

Resumindo, que já estou a produzir muita poluição e não quero ter que comprar um Ultimate Cell (já agora, que nome tão português): proibe-se a circulação automóvel, apenas para depois a permitir desde que se pague a instalação de um produto que não garante eficácia, existindo para isso um seguro. Estas ideias de merda fazem-me lembrar a EMEL. Muitos se revoltaram, era uma vergonha. A verdade é que Portugal está pejados de “Emels” em muitas cidades.

 

Bonito cidadão, senta cidadão, rebola cidadão.

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