Os 66% (mais coisa, menos coisa)

É uma maioria absoluta que se abstém de dizer, declarar ou fazer ouvir. Eu até compreendo que o descrédito politico sejam avassalador. Mas demonstra também que é extremamente bem sucedido. Há melhor coisa para uma classe política, do que um povo que não se manifesta, que não faz uma declaração através do voto?

Há quem diga que não quer fazer parte do sistema, e compreendo bem isso. Eu também não quero. Mas, ou esperamos que o sistema mude sozinho, ou tentamos mudar o sistema (haveria a 3ª opção: criar um novo sistema, mas se nem se tenta mudar o vigente, duvido muito que esta terceira opção seja real… considero-a, de momento, uma bonita utopia).

Não me parece que a apatia nos leve a algum sitio, que não o mesmo onde nos encontramos. Se acham que não usar o poder que temos (sim, o PODER que TEMOS) é o que vai mudar o sistema, creio que estão muito enganados. Se é para começar por algum lado a fazer as mudanças necessárias, o seu início pode-se encontrar precisamente no sistema e não ignorando-o. É como aquelas pessoas que acham que se ignorarem um problema, ele se resolverá por si só.

De tanta revolta que vi nestes últimos anos, de tanto mal estar, de tanta crítica, não vi qualquer reflexo no PODER do VOTO. O sistema é podre porque lhe é permitido ser assim. As leis são aprovadas porque fazem parte dos interesses de quem se encontra no poder (seja governo ou oposição). E em 40 anos o poder andou sempre a circular pelos mesmos.

Qual foi a resposta do povo? Apatia, desinteresse, resignação… e quem vence continua a ser aquilo que tanto criticamos e maldizemos. Mas no fundo, a culpa é desses 66% (dos quais não faço parte), por não dar poder a novas forças politicas que poderão muito bem ser o oposto daquelas que se encontram no poder, nem por apresentar novas propostas de governação (vá lá, 66%, alguém há-de ter uma ideia… mas isso implicaria alguém ter que pensar e fazer, coisa dificil e trabalhosa. E a abstenção do voto também permite que aquelas que eram minorias extremistas ganhem força, e aí mudamos de regime na certa. É aquela coisa chamada ditadura ou lá o que é (pode ser que lhe deem outro nome desta vez).

Remato com uma ideia para diminuir a abstenção: nas próximas eleições, cada voto serve também para nos habilitarmos a um Audi… se calhar assim já baixamos a abstenção… ou ofereçam um porta-chaves do benfica, que já garantem que 6 milhões vão votar (sim, esses todos que saem à rua para festejar, que se fore preciso se deslocam a outro país para ver a equipa jogar, mas quando se trata de votar em partidos que podem ditar as nossas vidas, não se levantam do sofá). Não é uma crítica aos Benfiquistas, mas são o melhor e mais recente exemplo na matéria.

Entretanto, farei parte dos 34%, até ter uma ideia sobre um novo regime. E farei a minha luta diária, em pequenas coisas nas quais, ainda tenho poder para usufruir e decidir.

Convencer o povo de que não vale a pena votar, foi a melhor jogada politica alguma vez feita. Desmoralizando as pessoas, convencendo-as de que não vale a pena ter voz, é o sucesso de uma ditadura. “O povo unido jamais será vencido” assim como “O povo desinteressado já foi derrotado”

ZON = NOZ sendo Z =S

Esta foi a fórmula mágica de rebranding da marca ZON, que agora é NOS (leia-se NUS, visto carecer de acentuação). O novo nome vem trazer um lufada de ar fresco às chamadas de telemarketing. Se antes nos ligavam da ZON para nos vender um pacote, agora seremos contactados pela mesma empresa para comprar um pacote vendido pela NUS (pronto, NOS).

E temos neste fórmula um rebranding em 4 simples passos, que passo a explicar:

1 – Pegar na marca em questão e colocá-la perante um espelho (calma, mesmo sendo a ZON, o espelho não parte)

Antes:Imagem Depois:Imagem

Concluído este exaustivo processo criativo, tem que se ir mais longe, porque uma operadora de TV não quer chamar-se NOZ (apesar de gostar de nozes.

2 – Depois de inverter o logo, inverte-se o Z, e fica mesmo a parecer um S, mas para isso tem que se mudar o lettering. Eu sei, uma canseira esta coisa do rebranding.

3 – Para ponderar sobre o ponto anterior, vai-se a uma superficie comercial aclarar as ideias… e EUREKA.

Imagem

Basta um prato para servir de bandeja uma ideia. Podem até dizer que a NOS tem a sua própria linha de loiça, uma grande vantagem sobre a MEO, que só possui uma pandilha de gajos que dizem piadas. Boa NOS.

4 – Investir uns quanto milhões na alteração de todas as lojas, na publicidade, no estacionário (envelopes e afins).

 

Resultado: houve alteração nos serviços? Dúvido. É como ter um pedaço de merda e cobri-lo com chantilly… não deixa de ser merda com chantilly, mas foi precisamente por ser uma merda, que necessitou de mudar.

 

PS – Incluo aqui a contribuição de alguém que foi além da piadola óbvia:

Para que percebessem a gravidade da coisa teria que fazer aqui um enquadramento histórico algo extensivo… portanto vou ser o mais sucinto possível.
A ZON nasce da separação da PT Multimédia do grupo PT como consequência de uma oferta pública de aquisição à PT… só depois disto nasce o MEO… Mas adiante onde quero chegar é a esta bela foto que aqui vos deixo.
Isto é uma capa com vários anos que pertence aos funcionários da PT…
Numa área de negócio em que a inovação é talvez o pilar fundamental para qualquer empresa se manter competitiva… Fazer um rebranding da marca inspirando-se em material de escritório com 10 anos… Não é só preocupante…. chega a ser mesmo risível !
A verdadeira inspiração ( se assim lhe quiserem chamar ) não vem do prato do continente mas sim de algo que a PT Comunicações fez há 10 anos atrás !

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