Selfixe

As selfies são tão fixes… mas tão fixes! Isto claro, depois daquele momento dos Oscares. Porque nos dias anteriores, era normal ouvir/ler alguém a critar a coisa e a maldizê-la. Mas o mundo é feito destas incoerências: uma coisa é boa ou má até alguém mostrar o contrário.

As selfies são a representação do nosso narcisismo, que já dispensa o espelho, no qual eramos os únicos espectadores. Agora o nosso espelho é público, o que permite que o narcisimo seja elevado a tendência a seguir.

“Olha para mim”, “Vê como sou feliz”, “como sou engraçado, dinâmico, tontinho”. É o hino ao Eu, sempre que interessa mostrar que estamos de bem com a vida. Ainda não vi selfies de pessoas deprimidas ou suicidas.

O lado positivo: mostra que a alegria existe no mundo (ainda que centrada muito no Eu); lado negativo: não mostra o lado negativo da vida, parecendo que tudo é lindo e perfeito.

Nos Oscares também se abordaram temas políticos, como a crise na Ucrânia por exemplo, altura em que na Russia a emissão foi cortada. Mas como a Ucrânia e a revolução popular não é centrada no Eu, mas no Nós, não ganhou o peso que as selfies recuperaram na opinião pública.

Reflexo de … perdão: Selfie de uma sociedade, em que o que importa somos nós, a imagem que projetamos e como gostamos de ser vistos. Mas cada pessoa é mais do que o reflexo do seu corpo, é a soma de crenças, valores, atitudes, ideologias… enfim, coisas que para ver, é preciso observar.

Em busca do centésimo macaco

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Acabo de ver um documentário intitulado “Collapse – The End Of The Age Of Oil”, que recomendo vivamente. Para quem acha que 82 minutos é muito tempo, e preferem ver um video engraçado que se tornou virar, aqui vão uns traços gerais daquilo que retive:

O mundo industrializado surgiu com a descoberta do petróleo enquanto fonte de energia. Detentores desta fonte, crescemos e multiplicamo-nos enquanto espécie humana. E quando digo que nos multiplicamos, não estou a exagerar. No espaço de um século existiu um crescimento sem precedentes na nossa quantidade, crescimento esse que foi à boleia do petróleo, pois dos seus diversos produtos as sociedades entraram novos produtos que facilitaram e ajudaram à expansão da espécie.

Os problemas inerentes a esta formula mágica são demasiados; apoiamo-nos num bem finito como se este não tivesse fim. E em breve pagaremos o preço por isso, é inevitável. E poderia ser algo leve, caso exitisse uma consciencialização global do problema, mas tudo indica que isso não irá acontecer.

Se na línguagem do cristianismo o Apocalipse é visto como “A revelação”, na realidade assitiremos muito provavelmente apenas ao colapso da sociedade como a conhecemos (e podemo-nos prender aqui um pouco nas semelhanças entre Apocalipse e Colapso). Na sequência dessa futura destruição social, permitam-me aqui introduzir uma ideia muitas vezes fantasiosa, mas que facilmente poderá ser concretizada perante uma rápida demosntração:

O Apocalipse Zombie é muitas vezes fruto de um virus estranho que transforma os mortos em corpos sedentos de carne fresca, viva. Regressemos então ao nosso colapso social, em que, como o desaparecimento do petróleo e subsequente estilo de vida, nos veremos privados da abundância de comida, água potável e outros bens inerentes à nossa condição. Além do comportamento violento e selvagem que poderemos esperar (caso não nos preparemos enquanto sociedade), não me parece improvável que estes restante desesperados, que já não sabem sobreviver sem as comodidades com as quais nasceram, recorram a canibalismo. Eu sei, estou no mundo da fantasia, e assim espero que seja esse o lugar deste cenário. Mas quando vejo pessoas a tropelar outras porque cerveja está em promoção, ou porque saiu uma nova playstation, este cenário não me parece em nada fantasioso.

O mundo está de facto doente, e a cura somos nós. Nós somos o sistema imunitário que pode evitar o colapso social, mas somos também o virus. Os produtos derivados do petróleo para criar pesticidas destroem o solo, outrora fértil com o sistema de rotatividade. Porque o imperativo é plantar rápido e produzir mais rápido ainda, esquecemo-nos que cuidar é mais importante ainda. Queremos andar tão depressa, que só nos podemos despistar nesta estrada cheia de óleo.

Dizer que não é necessário esperar por catástrofes naturais, ou meteoritos e demais versões do final do mundo. Nós cometeremos o nosso próprio apocalipse, seremos o nosso próprio fim, depois de ferir o mundo sem pudor, depois de matar sem consciência, cometeremos o suicidio sem ter noção de o fazer.

Haveria muito a dizer, mas o documentário dirá muito mais e muito melhor que eu.

Convido o leitor a ver o documentário e ouvir as palavras de Michael Ruppert, e talvez você seja aquele centésimo macaco necessário para fazer a mudança (é preciso ver para perceber, lamento)

Co-Drados

 

Hoje o parlamento desafiou as leis da física, e demonstrou que apesar da forma de meia-lua, consegue ser um perfeito quadrado. Houve partidos que votaram contra, mas é a isso que se chama ser da “oposição”. Algumas mentes serão mais bilhantes, mas no meio de burros, até os cavalos são confundidos.

Os partidos do poder (palavra que, caso mudemos a ordem das letras, resulta em “podre”) chumbam a Co-Adopção. Está muito bem. O que interessam os direitos das crianças, que nem sequer podem votar? Portugal, mais do que um país triste, é um país repleto de gente triste, mesquinha, vazia. Felizemente podemos encontrar essa gente muitas vezes em lugares de decisão pública, com poder para modificar estrutural e socialmente a nossa maneira de ser.

Este é um pequeno(?) exemplo da destruição de um conjunto de mentes pequenas consegue perpetuar durante bastante tempo. Digo isto, porque tenho uma vâ esperança que um dia os políticos sejam humanos. Eu sei, é pedir muito. Os poucos exemplos da história, tiveram um final triste. Esses que acreditavam que lá estavam para servir o povo, serviram de exemplo a outros com os seus ideais, que quem vem por bem, acaba mal.

No entanto nada disto é de admirar: desde há muito tempo que governos que tem vindo a destruir a empregabilidade, a saúde, a educação, a agricultura, a justiça… enfim, a sociedade de um modo geral, sempre com vista a ganhos económicos, esta é uma medida coerente. Quando estes bandalhos se forem, provavelmente virão os sacanas que aguardam.

Gostava mesmo era de ver uma revolta popular fora da internet, gostava que as pessoas se preocupassem e levantassem a voz… mas depois lembro-me que estou em Portugal.

Sem margem para dúvidas

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“Kim Jong-un ganhou as eleições parlamentares que se realizaram na Coreia do Norte com 100% dos votos na circunscrição em que era candidato, anunciou a agência noticiosa oficial, a KCNA.”

Eu sei, isto é daquelas coisas que pouco nos interessam, não é? Isso fica longe, lá para os lados da Ásia. Não temos nada a ver com isso. Somos todos moderninhos, e só nos preocupamos com aquilo que está perto de nós e nos pode afectar diretamente. O que se passa na Ucrânia e como resultado da vontade do povo, deixa imensa gente indignada, e com razão. Já quando um ditador é eleito sem oposição, até porque também não tinha, aí está tudo bem. Perdão, ele não é um dítador, o termo correto é “Líder Supremo”.

Não nos interessa nada o que afecta os que estão longe, aqueles que tem uma cultura tão distante da nossa, quanto a distância que nos separa. E assim ignoramos também algo tão simples como os direitos humanos, aquela coisa que tantas vezes lançamos em prol da nossa defesa, mas tão raramente em benefício de outros.

O problema dos ditadores e lideres supremos, é que um dia decidem que tem pouco espaço no país e querem-se expandir, ou apenas chacinam milhões que não concordam com eles. Mas enquanto isso estiver longe, vamos assobiando para o lado.

 

Manifestação de mau jornalismo

Hoje os polícias manifestaram-se. Os civis, esse que apelam constantemente à polícia para se juntar a eles, ficaram em casa. Em boa verdade, os civis há muito tempo que não se manifestam (a CGTP não conta, é uma Unidade Sindical). Concluo com alguma tristeza que realmente há uma diferença entre os agentes de autoridade e os comuns civis, mesmo que os primeiros também sejam pessoas civis, como se viu nas imagens. Ouve tensão e pressão na escadaria, esse simbolo máximo da luta contra o poder.

Tentar subir a escadaria é um simbolismo da luta dos oprimidos, que estão na base da escada, contra aqueles que estão no poder, no topo da escada. O que vai mudar depois desta manifestação? Não sei. Provavelmente nada ou pouco.

Digno de nota foi o comportamento dos jornalistas e dos media no local, cujo desejo de sangue não foi concretizado, deixando uma enorme desilusão sobre um evento que poderia ser falado durante semanas, caso existisse confronto. Tensão não chega, pressão não vende. Tive oportunidade de acompanhar o final pela SIC Notícias, canal que tenho… perdão, tinha em boa conta. Partilho um link de um vídeo que ilustra o momento em que os chacais clamavam por sangue que não houve.

http://youtu.be/MENZHHPtaEc

Tentaram à força toda fazer uma comparação entre a atuação da polícia na Manifestação de Novembro de 2012 e esta, dizendo que os polícias desta vez não fizeram uma carga policial, sugerindo que isso se devia ao facto de os manifestantes serem eles também, polícias. É notória a podridão que se encontra nos meios de comunicação. Em várias manifestações, a polícia teve manifestantes nas escadas, pessoas revoltadas que retiraram as barreiras de protecção e gritavam na cara deles. Foi preciso na Manifestação de Novembro de 2012, os polícias levarem com uma chuva de pedras da calçada durante 3 horas para investir sobre a população revoltada.

Claro que aí, paga o justo pelo pecador e vai tudo à frente. Não é comparável com a do dia de hoje. Os “jornalistas” (permitam-me as aspas, pois profissionalizar cretinos aborrece-me) mostraram bem que não conseguem ser impaciais, e o que interessa, à falta de sangue, é picar a ver se pinga qualquer coisa, se conseguem expremer qualquer coisa que alimente o vazio de notícias, o vazio de conteúdo.

Os polícias podem não ter ganho nada com esta manifestação, ou podem até ter conquistado alguns benefícios; já os meios de comunicação perderam integridade, como nos tem acostumado.

Ah POISE

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“O Governo pretende integrar desempregados na função pública no âmbito de um programa de renovação seletiva de quadros, que implicará a realização de estágios em serviços da Administração Pública central do Estado,(…) consta do Programa Operacional Temático da Inclusão Social e Emprego (POISE), onde o Governo define os eixos estratégicos para investir verbas do Fundo Social Europeu”

Fonte: http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO327872.html

Isto quer dizer, de forma sucinta, que após despedir vários Funcionários Públicos, agora  governo quer contratar novamente; ou para camuflar o desemprego e criar uma falsa empregabilidade, ou para suprimir as falhas que criou em termos de força de trabalho… ou ambas.

Seja como fôr, devemos antes de mais parar para tentar compreender que “empregos” são estes, porque o conceito de “Funcionário Público” engloba tantos postos de trablho quantos se podem imaginar. O F.P. tanto pode ser o varredor de rua, como o médico que nos trata após 4 horas de espera numa urgência qualquer.

Mas o amigo POISE esclarece o que disse: “Também no âmbito da Administração Pública se pretende apoiar a criação de novos empregos, repondo por essa via o nível de tecnicidade das organizações, contrariando a diminuição do número de trabalhadores verificada na sequência da implementação de processos de racionalização de estruturas”, diz o POISE.”

Trocando por miúdos, o objectivo em contratar decorre do facto das pessoas que foram despedidas serem necessárias. Gosto tanto destas coisas engraçadas, destas posturas bipolares. Quando iniciam um mandato é sempre a destruir, porque tem que ser. Estamos 3 anos entre manifestações que não resultam em nada e austeridade que em nada favorece um país, apenas o vende ao desbarato. E no ano de eleições, qual Jesus que veio nas ondas, está tudo bem, estamos óptimos perante os mercados, a economia cresce e até se oferece emprego. Tudo na tentativa de revalidar o lugar no poleiro.

O que me preocupa é que haja mesmo pessoas que comem isto e gostam. O que me preocupa é que existam pessoas que não comem isto, mas vão fazer um voto Seguro. O que me preocupa, é que as ovelhas continuem a ser ovelhas, e massa crítica seja um prato de fusão.