Os comentadores de cadeira

É inacreditável os comentários que são publicados nos jornais online, assim como nas redes sociais que a eles pertencem. Não existe notícia que não seja alvo de palavras ofensivas, de crítica, escárnio e mal dizer. Vou colocar aqui uns exemplos que retirei, sem grande pesquisa, em meia dúzia de notícias, é fácil encontrá.los, particularmente em artigos de opinião:

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Gostaram deste último? “belas tetas”, que classe. Pelo menos, em boa verdade, pelo menos este senhor fê-lo através do Facebook. É um anónimo devidamente identificado. Mas na maioria das vezes, estes maldizentes escondem-se por trás de nomes falsos, inventados ou apenas anonimato (eu sei, não tenho moral para fazer este reparo, mas faço-o na mesma).

Gostava de ver troca de ideias, em vez de troca de insultos. Seria muito mais útil o debate de ideias, que o lançamento de opiniões que nada acrescentam, não levam a lugar nenhum. A imbecilidade impera, particularmente nas notícias imbecis.

Hoje vi uma notícia que dizia que o telejornal da RTP vai ter mais 10 minutos. Que bom. Eu já achava uma hora a encher chouriços absurdo, agora podemos contar com mais 10 minutos de (des)informação no canal público (esse que todos pagamos numa taxa simpática que vem na conta da luz).

Enfim, pela quantidade de meios de comunicação presentes num país tão pequeno, dificil é noticiar algo de novo. Mas qualquer que seja a notícia de merda (a da Dora, no CM por exemplo), haverá sempre comentadores maldizentes em barda.

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Darias o teu casaco a um mendigo?

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Lembro-me de uma estória, contada na escola, há muitos anos atrás. Se não estou em erro, era “O Principe da Dinamarca” (e se não for, lamento o lapso). Narrava um momento, em que o principe passava por uma pessoa que tremia de frio, e lhe pediu um pouco da capa que ele trazia. O principe, ao invés de rasgar a capa, ofereceu-a à pessoa, mesmo nevando bastante. É uma estória muito bonita, e bonito seria também que a sua moral fosse absorvida.

Será talvez o que foi tentado com o vídeo que se segue, que anda há uns tempos por aí e tem aquele cariz de previsibilidade tão próprio deste tipo de produções. Atenção, nada contra, na medida em que talvez afetem alguma besta a ser mais bondosa… ou não. É sábido que os burros são teimosos, mas adiante. Vejam o video e regressem:

Já viram? Ficaram com um sorrisozinho enternecedor? Que bonito. Tem um bom fundo, que é para angariar fundos para as crianças da Síria que sofrem com outras intempéries além da guerra. Se essa mensagem chega a passar, não faço ideia. O video é bonitinho em si, mas agora metam lá um puto Sírio e não sei se a coisa muda de figura. Não aparece nenhuma imagem de um, nem adulto nem criança. A representação de uma campanha de angariação para crianças da Síria, espelha o ambiente mais nórdico que poderiamos ter. A intenção é tão boa, que até teve em conta o xenofobismo que existe nas pessoas. Digo eu, que sou Maldizente.

Agora vamos colocar um cenário ligeiramente diferente (e esta vai para aqueles que ficaram muito sensibilizados com o video): troquemos a criança bem vestida por um senhor. Este está mal vestido, sujo, cheira a alcool e mijo. Está numa paragem, a tremer de frio. Ou seja, mantemos a premissa e modificamos o cenário. E então deixo a questão no ar:

Darias o teu casaco a um mendigo?

Odeio a EMEL, mas…

Se pensam que isto é um artigo a maldizer a EMEL, desenganem-se. Em parte será, mas procuro explorar algo mais abrangente.

Dificilmente encontrarei alguém que diz gostar da EMEL, inclusivamente entre os seus trabalhadores. É uma empresa que só serve para multar os infratores… pois é, os infratores. Eu odeio a EMEL simplesmente porque acho que taxar um espaço que é público, que foi criado com dinheiro público, é parvo. Mas aí também terei que estar contra as taxas moderadoras, as portagens nas auto-estradas (em muito apoiadas com dinheiros públicos e vindos da União Europeia) que são geridas por privados… enfim, nunca mais sairia daqui. Acho mesmo lamentável que as pessoas que trabalham na EMEL (sim, acreditem ou não, são pessoas, com contas para pagar, filhos para criar… pessoas, pronto) sejam alvo de represálias tanto enquanto trabalham, como quando vão almoçar ou tomar café na sua pausa, e são enxovalhados e mal servidos. Aqui podemos ver bem a mentalidade existente. E depois dizemos mal dos ciganos que ameaçam funcionários da Segurança Social? Claro que sim. primeiro, porque são ciganos (que isto de dizermos “não ao racismo” só fica bem da boca para fora, a mentalidade existente é extremamente racista, mesmo que não o diga). Depois porque existe uma certa inveja de ter os tomates que eles tem… ou se quiserem, a união que tem. Sim, é crime, mas para o português apenas é crime aquilo que vai contra os seus interesses, não o que está na lei. Quantos são os que arranjam esquemas para fugir aos impostos, para evitar multas? Muitos!

E é aqui que vou expôr o verdadeiro tema deste artigo: eu odeio a EMEL, mas ao abrigo da lei eles estão certos. São uns chulos? Claro que sim. Então uma multa que custa logo €30 e pode ir até aos €120 com direito a uma ida ao parque dos reboques só pode ser considerado um abuso. Por outro lado, quando alguém é autuado é porque cometeu uma infração. Conhece a lei, sabe qual é o seu dever e obrigação, assim como as consequências no caso de incumprimento. E já assisti a fiscais da EMEL e Spark a “perdoarem” infratores. Sim, eles são pessoas… até quando multam, são pessoas.

Vergonhoso não é apenas aqui que já enunciei, mas sim a atitude das pessoas, quando cometem uma infração, protestarem como se tivessem toda a razão. Como se estivessem a sofrer uma enorme injustiça. Não estão, lamento. Os fiscais que trabalham para a EMEL são pessoas; já os carros que são multados, nem sempre pertecem a seres humanos.

Esta postura é transversal a muitas esferas sociais. Veja-se que o governo criou um ridículo sorteio para quem pedisse facturas. É uma palhaçada, é certo, mas teve origem num problema, que se encontra precisamente em muito que tantas vezes invocam os direitos, e tantas vezes se esquecem das obrigações.

Quero um Portugal Islandês

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Hoje comecei a ler um livro de Filipe Homem Fonseca, cujo titúlo é absolutamente genial: “Se não podes juntar-te a eles, vence-os”. Esta para mim é a melhor premissa revolucionária dos últimos tempos. Há muito que queria ler este livro, e hoje comecei. Ainda nem 50 páginas volvidas, e já tanto foi dito, de uma forma tão brilhante, que dificil será não vermos algum reflexo nosso e da nossa sociedade (os menos humildes estarão imunes a tal coisa, fiquem descansados). Até ao momento, este livro fala de como a apatia nos condena. E se querem saber mais, leiam o livro. Eu devo acabá-lo em breve, e depois faço uma crítica ao mesmo. Mas do que li, segue esta inspiração sobre a actual situação política e social sobre Portugal.

Surge muitas vezes a questão, quando se fala do governo, que se não for PSD/PP, será PS. Porque não há mais nada. Estamos condenados porque não há líderes. Como se estivessemos a dizer que não há cebolas no mercado, e assim não podemos fazer um refogado. Não faz mal, comemos batatas cozidas, mesmo estando fartos de batatas cozidas e ser um dieta que nos faz mal, visto ser a única coisa que comemos. E nesta dieta, vamos engolindo sapos, com a revolta de quem deseja caviar. Porque se não forem estes, que será? E sendo outros que não conhecemos, o que poderºa vir… será pior, só pode (como se aquilo que temos há séculos fosse uma coisa boa).

Eu acredito que o medo nunca poderá ser nem uma resposta, nem uma justificação. O melhor exemplo é o da Islândia, tão conhecida quanto abafada. Antes de perguntar o que fazer, é necessário começar a fazer alguma coisa. É sabido que os governos alternam entre merda e cagalhão (perdoem-me a expressão os mais sensíveis), e que os portugueses, essa entidade abstrata, se move entre os dois.

Compreendo este fenómeno com base em duas premissas: Portugal não é só Porto e Lisboa, como parece por vezes. E muito do país vive da máquina do estado. Basta ver alguns cartazes das últimas eleições, em que a lista tinha metade da aldeia. Mas adiante para a segunda: o descrédito na política é tal (na verdade, nunca foi genuinamente forte o crédito, senão nos bancos), que a abstenção poderia eleger um partido com maioria absoluta.

Continuamos à espera de D. Sebastião, à espera que alguém faça alguma coisa por nós. Alguém que nos leve, quando na verdade somos nós que temos que nos levantar e andar. Não quero Portugal como a Ucrânia, mas também não quero este Portugal, que teve uma revolução feita em 74, não pelo povo, mas por militares à qual o povo se juntou. Aí, apareceu alguém para fazer alguma coisa, mas vejam bem o tempo que demorou. Não quero ver este Portugal, nem um Portugal de Salazar. Quero um Portugal Islandês, se me for permitida a blasfémia.

É o medo que nos impede, a apatia que nos demove, a preguiça que nos afunda.

Despeço-me com uma frase que se encontra na contracapa do livro que referi no início:

O MUNDO ACABA COM UM ENCOLHER DE OMBROS

Aeroportos e Aviões

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Adoro andar de avião. Não pela viagem em si, até porque não passa de um autocarro com asas, mas porque isso significa que vou para um lugar distante, diferente daquele que vivo na rotina. Comprar uma viagem para algum lugar é desde logo um sorriso garantido. Mesmo viajando em trabalho sinto essa sensação.

No entanto, viajar de avião implica um desgaste físico e emocional que nunca consideramos até chegar ao aeroporto. Começa aliás antes disso, porque a viagem para um aeroporto já é exaustiva. Os ditos parques de estacionamento das aeronaves estão sempre longe, e portanto a viagem começa quando saímos de casa.

A antecipação recomendada para chegar ao aeroporto são pelo menos duas horas. Pelo menos. Sendo assim, aquela viagem que é suporto durar (por exemplo) três horas, passa a cinco. Muito bem, não vou desanimar. A fila para o check in está cheia de locais felizes e estrangeiros carrancudos. Quem inicia a viagem está feliz, para quem esta termina, é mais penoso. O regresso à rotina é muitas vezes uma tragédia.

Felizmente há mais que tempo para matar, e convém ter o cartão de embarque sempre à mão, pois vais ser o documento mais pedido até nos sentarmos no avião. A primeira vez, é quando passamos no detetor de metais. E aí, até compreendo. Acabamos de recebê-lo e para passar pela segurança, temos que o mostrar. Tudo certo. Abocanho-o enquanto tiro o casaco, o cinto, abro a mochila, esvazio os bolsos e me preparo para ser apalpado, porque há sempre uma réstia de metal no corpo que teima em disparar o alarme. Deve ter sido do almoço, que foi lentilhas e contém muito ferro.

Estou finalmente na sala de espera. Posso passear pelo free shop. Ainda sou do tempo em que os produtos lá vendidos eram isentos de impostos. Se o são hoje, então fizeram um acerto de preços para custarem o mesmo que na cidade. Comprar um volume de tabaco no aeroporto ou fora dele, tem apenas uma diferença: para o comprar no aeroporto, temos que mostrar o cartão de embarque. Claro.

O voo está atrasado, vou comer qualquer coisa, já que tem um volume de SG Ventil e não tenho lugar para fumadores. A restauração nos aeroportos é igual à das bombas de combustível, sendo extremamente inflacionadas. Já deu para perceber que o desconto que havia no freeshop (há muito tempo), foi acrescentado na sande mista de panrico. Perdi a fome. E é bom que não a volte a encontrar, porque o meu voo é low-cost, que se diferencia duma viagem de camioneta apenas no facto de ter hospedeiras vendedeiras e um sinto para estar sozinho (o WC).

Estão a chamar, vamos embarcar, finalmente. Descubro que nos voos low-cost, invês de embarcar as pessoas aos poucos, reunem toda a gente num curral até a porta de embarque fechar. Depois espera-se 20 a 30 minutos e solta-se o gado na pista. É vê-los seguir todos contentes, a serem controlados por uma ground force, qual rebenho a ser guiado por cães. Depois da visita guiada à pista, entro no avião. Pede-me o cartão de emrque, aquele que tinha mostrado na porta de embarque, freeshop e controlo. Ofereço um prémio a quem conseguir entrar num avião, depois de todo aquele controle, sem o cartão de embarque sem ser apanhado. Mas adiante, que a seguir é uma parte que conheço bem, a coreografia do pânico.

Sejam as hospedeiras, ou um videozinho catita e criativo, é necessário explicar os procedimentos de segurança em caso de queda. Curiosamente, nunca ensinam como gritar em coro ou rezar sentado. Está aí uma grande falha. O altifalante relembra que este é um voo de não-fumadores. Opá, a sério? Mas não são todos? Ainda há voos onde se fuma? Por favor, quero um desses. Este aviso é só para quem ainda fuma, e não sai de casa há uns 10 a 20 anos. De casa mesmo.

Depois de uma viagem apertadinho, a recusar as promoções em vigor chego ao meu destino. Mal o avião aterra, começa-se a formar uma imagem na minha cabeça. Imaginem uma panela com óleo a ferver e milho. Pop, vai um. Pop Pop, vão dois. O avião pára. Pop Pop Pop Pop 4 seguidos, devem ser uma famila. Apaga-se o sinal dos cintos de segurança. Habemus pipocas!

Agora é só encarneirar novamente até à recolha da bagagem e seguir. Para variar, demora mais do que gostariamos. O cansaço já é muito e espera-nos um admirável mundo novo. A mala que sai do tapete nunca é a nossa, e quando vem é o orgasmo. Saimos do aeroporto e rumamos a uns dias de descanso.

Poderia terminar por aqui, mas não. Viagem concluída e uns diazinhos bem passados, está na hora de passarmos a ser os carrancudos do check in. A história repete-se, com uma ou outra nuance, sem stress. Já estou no avião, quando o capitão diz que vamos aterrar. Tudo bem, muito suave. Infelizmente aterrei em Portugal e espera-me o ritual mais estúpido, cretino e labrego: as palminhas. É uma merda que não passa! Eu bem rezo, peço aos deuses… mas desespero de seguida. E esses mesmos burregos quando aterram noutro aeroporto, nunca batem palmas. É só quando regressam.

Pior do que um voo low-cost, é um voo low-cost que aterra em Portugal apinhado destes burregos. Nem para ensopado servem.

Calçada Portuguesa, é uma limpeza!

CalçadaPortuguesa

Parece brincadeira, mas não é. Foi aprovado ontem na Assembleia Municipal de Lisboa, o Plano de Acessibilidade Pedonal prevê a implementação, até 2017, de 100 medidas, sendo uma delas a retirada da calçada portuguesa em algumas zonas da cidade.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.com/pais/176602/plano-que-preve-retirada-da-calcada-portuguesa-gera-polemica#.UwUB8F5KtFc

Não quero ser velho do Restelo, nem novo do Intendente, mas parece um pouco absurdo retirar uma das identidades da cidade, uma coisa que é até turistica e dá alguma beleza e particularidade à cidade.

Bem, se vão tirar, pelo menos vendam. Está na moda vender tudo o que é português (nacionalidade incluída), por isso façam um bom preço. Não metam é no OLX ou CustoJusto, que a malta quer sempre negociar e é uma troca de mails sem fim.

Pensando bem, até concordo. Sempre que a merda das pedras se soltam, nunca mais as martelam outra vez no sitio. E aquilo com chuva fica piso derrapante. E é tudo a preto e branco. Boooooring! Até dizem que aquilo tem padrões e o caralho, mas para ver tem que se subir a um sitio qualquer e isso cansa. E quando se perde uma? Tentem lá encontrar a peça do puzzle.

 

 

Fernando Tordo, já foste…

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Hoje deparei-me com um artigo intitulado “Carta ao pai”, de João Tordo. É um título que ganha por si só, e lá fui ler. Descobri que Fernando Tordo emigrou. Pessoalmente é uma decisão que me causa a total indiferença, na medida em que nunca fui um fã do referido artista e não o conheço pessoalmente. Não é um estranho que parte, mas também não é um anónimo.

Não posso falar de todo o trabalho que Fernando Tordo fez, da cultura de produziu, pois nunca estive atento ao seu trabalho. Mas depois de ter lido o artigo do seu filho, há duas coisas que me ficaram na cabeça:

– A primeira é que um artista como Fernando Tordo, não sendo extremamente mediático (ou popular), foi e ainda é, alguém que contribuiu para a cultura (que se goste, quer não), e portanto parece-me absurdo que na sua partida, seja ofendido por fazê-lo. Há assim tanta gente ressabiada, que ao saber que alguém vai imigrar para procurar trabalho, porque não tem aqui, o ofende? Que tristeza, realmente. Isso não é ser maldizente, é ser pequenino, muito pequenino mesmo. E o que é preocupante é que vamos ficando assim, um Portugal dos pequeninos que não é o das crianças, mas dos mentecaptos.

– A segunda é que, caso Fernando Torodo se ficasse por cá, com os seus 65 anos, teria uma reforma de duzentos e tal euros. A sério? Aqui fiquei atordoado. Por um lado, custa-me compreender como é que alguém como ele, tem uma reforma assim tão miserável. Resta-me divagar sobre três hipóteses: ou realmente a máquina do estado é vergonhosa; ou o senhor não fez os descontos correspondentes aos seus ganhos; ou ganhou muito pouco durante a vida. Na ignorância, não me vou esticar no mundos das hipóteses, e deixar as ofensas para os ressabiados, e ficar com esta sensação de estranheza profunda.

Resta concluir que este é mais um sinal dos tempos, sinal desta nossa recuperação heróica aos mercados, que deixou e deixa um resta de destruição genuinamente assustador. Melhor exemplo é já não termos sequer um Ministério da Cultura… e realmente, para quê?

Deixo-vos o link para o Blog do João Tordo, que acho que vale bem a pena ler.

http://joaotordo.blogs.sapo.pt/carta-ao-pai-129182