Isilda Pegado (ou ser imbecil)

822721

Por vezes somos presenteados com criaturas desconhecidas do grande público, mas que se evidenciam desde logo por serem entidades especialmente bacôcas. Por momentos pensei que fosse a mãe do Sr. Hugo Soares, o que justificaria em pleno as vezes que o apelidei de “filho de uma puta”.

Mas não é (que se saiba, pelo menos). Esta pessoa defendeu que os homossexuais não se deviam (podiam, assim é que é) casar, porque isso é uma coisa entre um homem e uma mulher. Está muito bem. Se me declarar homossexual, posso também ser isento de impostos? Se o fizer, posso receber regalias que os “normais” não recebem? É que se assim for, chamem-me Carlão!

Até lá permanecerei heterosexual, e viverei com a vergonha de existirem pessoas heterosexuais como a Isilda.

A cultura desta senhora é de uma tal profundidade, que para defender a sua ideia, puxou do seu empirismo e lançou: “O meu casaco é verde” (na verdade é rosa, e portanto a senhora além de estúpida, é daltónica). Vejam o video, é giro: http://www.youtube.com/watch?v=DoSn4AaEuu4

Esta senhora é advogada. Infelizmente, não há lei que promova o abate de alforrecas. Uma pessoa que lida com a lei e com a justiça, mas que manteve a sua mentalidade em 1800, que de resto vai muito bem com a sua cara, também ela dessa época. Eu sei, estou a ser mauzinho, e deveria argumentar melhor este artigo. Pronto, vamos lá:

“Tenho sapatos castanhos.” Toma lá esta Isilda, come e cala!

O triunfo dos porcos

1000327

Se pensam que vou dissertar sobre a obra de George Orwell, desenganem-se. Se nessa obra, os porcos e restantes animais da quinta eram uma analogia da podridão do ser humano, aqui procuro demonstrar como o ser humano consegue comportar-se de forma animalesca.

Inúmeros seriam os exemplos que poderia dar. Demasiados até. Mas hoje vou-me focar num aspecto peculiar, inspirado por uma ambiência muito própria. A afamada zona de restauração dos centros comerciais e outros locais com características semelhantes.

Certamente já foram, nem que apenas uma vez, a um destes locais. O conceito é simples: muitas lojas a vender os mais diversos alimentos (e merda comestível). Paga-se, mete-se tudo num tabuleiro e segue-se para uma das mesas da gigantesca zona comum. Até aqui, tudo muito bem. Rodeados do barulho ensurdecedor das conversas, comemos. Terminada a refeição, vamos embora. Tudo bem? Nem por isso. Voltemos um pouco atrás.

Depois de receber o tabuleiro dirigimo-nos para uma mesa. Até parece haver bastantes lugares livres, mas mesas nem por isso. Essas ainda contém os resquícios dos anteriores ocupamentes. Lá ainda se encontra o tabuleiro e os restos da refeição (que poderão estar no tabuleiro ou fora dele). Curiosamente, ou não, existem inclusivamente zonas dedicadas ao repouso do tabuleiro usado, com direito a uma caixa onde se depositam os restos da já defunta refeição. À semelhança dos cemitérios, só em dias especiais é que são visitados em massa.

Isto reflete bem a consciência de uma sociedade. Depois de adquirir um bem e estar saciada, desresponsabiliza-se de tratar das sobras. Pois é, quem tem esta postura perante uma coisa tão simples e tão básica, que postura terá em relação a outras bem mais relevantes? A mesma, provavelmente. Sim caro leitor, que neste momento se revê da posição da criatura que é criticada. Não basta separar o lixinho em casa e dizer que é amigo do ambiente, isso tem que ser uma filosofia, e não um excerto.

Lembro-me de um caso em particular, em que fui ao Shopping Vasco da Gama. Comprei a refeição e fui para a zona da esplanada, apenas porque prefiro ouvir o irritante som das gaivotas, que o constante grunhir dos porcos. Bastou vislumbrar o plano geral para pensar “que hojo!”. Um cenário capitalisticamente dantesco. Lá arrumei os tabuleiros dos outros para ter lugar. Pouco depois, duas tiazocas tem a mesma reacção que eu: “ai que nojo, olha como isto está. Realmente as pessoas não tem cuidado nenhum!” Perante o choque, pensei para mim que estas pessoas teriam uma consciência melhor, que lhes incomodava o cenário e não fariam parte do mesmo. Comi com calma, a apreciar a vista. Foi tempo suficiente para as tias acabarem e sairem. O que ficou delas? Os tabuleiros. Esse nojo que criticaram, essas pessoas porcas de que falavam, são elas também.

O maldizente por excelência é mesmo assim. Critica exatamente aquilo que critica. Um dia vou ser assim… ou talvez já seja, e não sei.

Pensão, Logo Exigem

VELHOS AMIGOS

A notícia começa assim:

“Os viúvos que recebem pensão de sobrevivência e pensão própria estão a ser duplamente penalizados pelos cortes instituídos pelo Governo, que entraram em vigor com o Orçamento do Estado para 2014. De acordo com o Diário de Notícias, há casos em que os descontos chegam a ser mais elevados do que o dinheiro que a pessoa, efetivamente, recebe.”

Fonte: http://www.noticiasaominuto.com/economia/165893/ha-pensionistas-viuvos-que-descontam-mais-do-que-recebem#.UupHsfboZh2

Não percebo este país, a sério que não. Vou começar pelos “governantes”. Além de me parecer perfeitamente imoral este tipo de decisões (se bem que moral é uma coisa que não entra em edifícios governamentais), não será também ilegal? Uma pessoa que faz descontos uma vida inteira para, no final da sua vida, poder descansar e colher os frutos dos seus descontos, não pode? É que de tudo o que descontou, não receberá sequer metade. E graças a esses descontos, o país pode evoluir (perdão, crescer… evolução é outra coisa). Como se os impostos, diretos e indiretos que pagou uma vida inteira enquanto contribuinte e pagará até depois da morte (há custas com os funerais, portanto continuará a gerar receitas), não fossem suficientes.

Mas a culpa não morre solteira, é o casamento mais longo da história. Todos nós enquanto contribuintes, fazemos os descontos mensais, pagamos todo o tipo de impostos diretos e indiretos, assitimos a isto e fazemos o quê? NADA. ABSOLUTAMENTE NADA! Nem uma irazinha nas redes sociais. Tudo vai bem na República das Bananas. Porque quando nos começar a tocar a nós diretamente, será tarde. E não podemos contar com a gerão seguinte, porque se essa seguir o nosso exemplo, será tão dormente e apática como a nossa. Talvez até mais, caso isso seja possível.

Continuemos a discutir mais avidamente a Casa dos Segredos, as Praxes e outros surtos mediáticos, e continuaremos a ser comidos calmamente. Discutir temas mediáticos é inevitável, os meus artigos são também reflexo disso mesmo. Mas não podemos perder o foco daquilo que é realmente relevante, daquilo que nos afecta enquanto sociedade.

Senão estamos bem fodidos. E caminhamos para lá alegremente zangados.

Dia Mundial das Zonas Húmidas (existe mesmo)

 

No dia 2 de Fevereiro comemora-se o “Dia Mundial das Zonas Húmidas”.

Tanto se poderia dizer sobre isto. Da nuvem à cueca, a piada torna-se fácil. Claro que estes dias mundais de qualquer coisa tem sempre uma preocupação que lhes deu origem, um propósito nobre para lembrar, relembrar ou alertar para qualquer coisa em particular. Mas com a boa intenção em vista, perde-se a noção do ridículo.

Gostava muito, mas muito mesmo que este fosse um raríssimo exemplo desta prática. E adorava conhecer quem se lembrou de semelhante coisa. É pago? Este sim, é o meu emprego de sonho (que de trabalho não terá muito).

Para manter uma certa humidade no assunto, de referir que existe o “Dia Mundial da Água” e o “Dia Mundia dos Oceanos”. Se isto não parecer suficientemente estúpido, existe o “Dia Mundia do Mar”. Gostaria de propôr o “Dia Mundial do Corrimento”, que também tem uma consistência aquosa. Acham parvo? Pois fiquem sabendo que existe o “Dia Mundial da Hidrografia”. Já percebemos, a água é importante! Foda-se!

Felizmente, fizeram o “Dia da Saúde Mental”, em tributo às pessoas que atribuem “Dias Mundiais”, que é coisa que lhes falta. Convido-vos a pesquisar alguns destes dias com dedicatórias especiais.Aqui vai o meu tributo muito especial a alguns:

• “Dia Mundial do Braile” não se vê, mas sente-se.

• No “Dia Mundial da Anestesiologia”, sentimos uma picadinha seguido de uma dormência

• No “DIA MUNDIAL DO CAPS LOCKs”…

Dia Mundial do Caps Lock? Foda-se, a sério?!

Desisto

Confortavelmente desconfortável

brinquedo_taxi_03_1253811312

Ah, os taxistas… aqueles que deram origem à expressão “mal necessário”. Maldizentes por natureza, apenas não dizem mal da sua própria condução. O resto é uma desgraça sem fim.

Admiro os taxistas na medida em que são os únicos transportes públicos que muito raramente estão de greve. Mesmo com sucessivos aumentos dos combustiveis, nunca bufam em conjunto, nunca desligam o taximetro. Alguém se lembra de uma greve? É certo que existiram, mas por cada colega de greve, o negócio cresce para os outros, e aí é cada um por si. Não compensa fazê-la. E o que compensa mesmo é quando o metro ou os autocarros estão de greve, aí é um fartote. Devem ser dos poucos que agradecem o jeitinho do protesto alheio. Disso nunca dizem mal.

Cada vez que tenho que apanhar um taxi, mal entro fico logo mal disposto. Não é o cheiro, calma. É aquele número inicial: €3.25 (depois das 21h, passa a €3.90… uma espécie de bar com preços de esplanada). Até dói. Mas para atenuar a minha dor, tenho um individuo que vai sará-la com as dores do mundo, com o seu sofrimento, e talvez assim o que me aflige não seja tão grave como pensei. Geralmente o silêncio é quebrado por um suspiro, e o tema, lançado pela actualidade. Com sorte, não aconteceu nada no mundo da bola, e a conversa é só sobre os chulos do governo. E com muita sorte, não haverá espaço à conversa, mas serei espectador de um monólogo, no qual farei os parágrafos com palavras como “pois”, “hum hum”, “uma vergonha”, “é o que é”.

Mas seja qual for a maldizência, posso contar sempre com buzinadelas e rabujices sobre a condução dos outros, mesmo sendo eu que vou colado ao assento com a cueca já borrada das 7 transgressões graves entretanto ocorridas. Quando não buzina em andamento, o taxista gosta de ser o Lucky Luke desse faroeste que são as ruas citadinas, e é o que tem o dedo mais rápido no que diz respeito a semáforos. Mal cai o verde, já disparou a corneta para avisar todos desse grandioso evento. Posso afirmar que já fui passageiro de um motorista que buzinava sem razão absolutamente nenhuma, mais parecia um tique nervoso.

Já com a sinalização de mudança de direcção (também conhecidos por piscas), o motorista de praça tem o dedo dormente. Custa-lhe dizer para onde vai. Ou estarei a ser injusto, e no final de contas, o nosso amigo é na verdade um adepto da surpresa. Talvez seja poupadinho, que estamos em crise e os picas custam os olhos da cara, que a avaliar pela condução de muitos, não investem muito na visão.

O que a mim me deixa estrábico, é quando numa viagem, mudo de zona. Aí sim, o taximetro torna-se num cronometro imparável e começo a suar em bica, quando penso na distância que ainda falta percorrer até ao destino. Para aqueles que sempre tiveram medo de ser assaltados, mas querem ter essa experiência num ambiente controlado e direito a um número infinito de odores, fica a recomendação.

Em jeito de remate, não posso deixar de dizer que nem todos são assim.

E julgo mesmo que um taxista que leia isto, acreditará que estou a falar dos outros, e não de si. Pois.

Pescadinha de rabo na boca

Ontem, depois de ver o Prós e Contras, edição especial “lisboa é linda”, dei por mim a assistir ao “5 para a meia noite”. E bastaram os primeiros 5 segundos para dar origem a esta reflexão.
“O 5 para a meia noite é patrocinado pela antena 3”, informa a voz off inicial. Quase que passou sem causar estranheza. Quase.
O que isto significa é que a “Antena 3”, que pertence ao Grupo RTP, que é o estado que suporta, patrocina um programa da RTP, que faz parte do Grupo RTP (eu sei, não estavam à espera), que é também ela suportada pelo estado.
Bom, não passa de uma mera observação de um leigo, mas parece muito bizarro. Talvez seja eu, que vejo o estado a patrocinar o estado, como se se tratassem de duas instituições (ou empresas) distintas. Seria como se o Pingo Doce patrocinasse a marca Recheio, sendo ambas do grupo Jerónimo Martins. Ou se calhar sou eu, que sou maluco. É capaz.

Os 3 F’s: Fome, Futebol e Foda-se!

Untitled-1

 

Os 3 F’s simbolizavam os valores portugueses na época da ditadura de António de Oliveira Salazar. Estes continuam a ser 3, mas apenas o Futebol sobreviveu para os efeitos deste artigo. Quem pensar que isto é uma coisa boa, desengane-se. As baratas sobrevivem sempre. Mas já lá vou, e começo pelo primeiro F.

Fome: uma realidade cada vez mais marcante na sociedade portuguesa, que apenas não se torna mais gritante, graças à vergonha que a encobre. Não é para menos. Quem chega a um ponto em que tem fome, está muito mal. Péssimo mesmo! É o reflexo mais explícito da pobreza. Quando se deixa de ter dinheiro para comer, estamos perante pobreza, na verdadeira acepção da palavra. É dificil condenar alguém que rouba comida, e que o faz com vergonha. Segundo a lei, é crime roubar. Mas a lei serve mais para proibir do que auxiliar. E daqui faço a ponte entre o 2º F.

Futebol: o ópio do povo continua a sê-lo. Veja-se a recente morte de Eusébio e as Bolas de Ouro de Ronaldo. Foi uma ocupação mediática total, da tv às redes sociais, passando por rádio, jornais, blogs. Se fosse dada tanta atenção a outras modalidades, veriamos o quão rico o nosso país é em bons atletas, mas não. E a minha crítica não é para estes dois momentos, nem tão pouco para momentos destes, revestidos de luto e celebração. Falo dos momentos corriqueinhos das polémicazinhas de merda entre dirigentes, e árbitros e outras coisas superficiais que alimentam 3 jornais diários dedicados apenas a isso (às vezes enche duas páginas com outras coisas, vá), mais canais de tv… enfim. E se eles existem, é porque são consumidos.

Unindo estes dois temas, vamos respirar fundo e inspirar o ridículo:

A SIC fez uma série de reportagens à qual chamou “Fora de Jogo”, sobre ex-jogadores de futebol que hoje em dia estão sem dinheiro. Uns coitadinhos. Eu bem tento ter pena, simpatia ou um qualquer outro sentimento bom, mas não vai dar. Nunca lamentarei o infortunio de alguém que recebeu muito bem, durante uma boa parte da sua vida profissional, e não o soube gerir. E sim, com azar à mistura, mas não me fodam. Passaram uma vida a estourar dinheiro, e agora é suposto ter pena, porque já gastaram tudo? Tenham juizo. Há pessoas que trabalham uma vida inteira e nunca conseguirão ganhar o que eles fizeram num ano como jogadores de futebol.

No caso do Cadete, por exemplo, o menino recebe o Rendimento Social de Inserção. A sério, há 3 anos! E os que falaram, foram os que tiveram a coragem (ou vontade, ou foram parvos para o fazer), não quero imaginar os que estão nesta situação. Portanto, o dinheiro dos contribuintes está a sustentar gajos que desperdiçaram tanto dinheiro em merda, que nunca pensaram em gastar um cêntimo em educação e aprender a não serem parvos. E assim faço a ligação para o terceiro F.

Foda-se: é a palavra por excelência para sobreviver neste país. É o resumo do sentimento de espanto, admiração, revolta, nojo… sei lá eu, tudo acumulado. E saí-nos um grande “FODA-SE” depois se ser impossível mantê-lo guardado por mais tempo. E saem cada vez mais, e a um ritmo cada vez maior. E como o bitoque não é só um bife, e tem que vir com arroz, batata e salada; também o foda-se precisa de amigos, e vem à boleia do “caralho”, “filhosdaputa”(sim, tudo junto) e o ocasional “cabrões”. É a revolta de café, de computador… a revolta faz-se sentado, no silêncio da sala, no autismo do trabalho, no vazio da sociedade. Estamos todos muito zangados, oh se estamos. E para isso, recusamos os cartazes, não levantamos a mão, não erguemos a voz… mas batemos na tecla como ninguém.

Tem-nos servido de muito essa merda, FODA-SE!!!